Transition Network

A Transition Network (que em inglês significa Rede de Transição  e que designamos por Rede de Transição Internacional) é uma instituição não governamental sem fins lucrativos que tem como missão inspirar, encorajar, conectar, e apoiar as comunidades a fazer a transição para comunidades saudáveis, sustentáveis, resilientes e felizes.

A Rede da Transição Internacional assenta num movimento auto-organizado de base em que as iniciativas de transição surgem espontaneamente e de forma gratuita e descentralizada se juntam à Rede através do site www.transitionnetwork.org . Em cada país, vão surgindo as plataformas nacionais (que em inglês são apelidadas de Hub) que reúnem e fazem uma função semelhante à da Transition Network em cada país.

Porque esta rede é um movimento assente em ideias de mudança e de esperança por um mundo melhor, com uma atitude muito construtiva e dialogante, pertencer a esta rede é estar sempre a aprender e a partilhar as nossas experiências… com as iniciativas da nossa região, do país e do mundo.

É uma rede que acredita no conhecimento livre como forma de acelerar a evolução do nosso processo colectivo e que por isso promove a discussão honesta do que funciona e do que não funciona. Não temos as soluções certas para mudar o mundo. É preciso ter uma visão e encontrar as soluções certas para todos os locais e para todas as escalas. Esta é uma rede de pessoas, nos seus bairros e comunidades, pondo em prática toda a sua grande visão e os seus grandes princípios no sítio onde vive.

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Em Portugal, a Plataforma da Transição de Portugal (ou Hub da Rede de Transição Portugal) tem vindo a ser criada e melhorada desde 2010 e vai sendo modelada em função das necessidades sentidas pelas iniciativas e também da energia disponível no seio dos representantes das iniciativas para encorajar e inspirar o surgimento de novas iniciativas de Transição.

Felizmente, e independentemente do que fazemos como representantes da Rede em Portugal, os valores, a necessidade e a motivação para a Transição estão aí e o movimento cresce por si em inúmeras iniciativas por todos os cantos deste país.

Acreditamos que é preciso convergir para aprender e melhorar e partilhar recursos e experiências para fazermos melhor do que o melhor que já se fez no passado.

 

História da Transition Network

No final de 2006 e na sequência de vários contactos mantidos entre pessoas crescentemente interessadas em implementar nas suas localidades modelos de comunidades mais resilientes e preocupadas em reduzir as suas emissões de CO2 e tendo, nomeadamente, por referência Totnes, uma cidade em Transição, que, em Inglaterra, desenvolvia já, há aproximadamente um ano, trabalho consistente nesse sentido, foi fundada a Transition Network (TN), com a missão simples de inspirar, encorajar, conectar, e apoiar as comunidades na adopção e adaptação do modelo de Transição, de forma a lhes permitir reganhar a resiliência perdida e reduzir drasticamente as suas emissões de CO2.

Enquanto instituição não governamental sem fins lucrativos a TN procurou, desde a sua génese, desenvolver um modelo que fosse inspirador e replicável, com especial foco na criação de um modelo  relocalização dos factores de produção de bens essenciais às comunidades, que permitisse o desenvolvimento de comunidades humanas fortes e saudáveis e materializando a vontade de união e partilha entre as diversas Iniciativas entretanto criadas.

Ultrapassadas as dificuldades financeiras iniciais, através de uma parceria estabelecida com o Tudor Trust e que ainda hoje se mantém, foi possível à Transition Network estabelecer uma base física, montar uma página web, e a Rob Hopkins, um dos seus fundadores, publicar na Primavera de 2008 o Transition Handbook, que permanece ainda hoje uma referência no movimento de Transição.

Em Outubro de 2007, incentivado pelo feedback recebido das diversas Iniciativas de Transição que entretanto tinham sido constituídas em países como Austrália, Canadá, Inglaterra, Alemanha, Irlanda, Itália, Holanda, Nova Zelândia, Escócia, Africa do Sul, Espanha, Suécia, EUA, e País de Gales, realizou-se o primeiro Curso de Iniciativas de Transição, que, desde então, tem sido ministrado pelo mundo fora.

Entretanto, foram também desenvolvidos outros cursos, entre os quais o curso para formadores, o que veio contribuir para criar uma bolsa cada vez maior de formadores, capazes de dar apoio às Iniciativas de Transição, em muitos países e em diversas línguas, estimulando assim a autonomia das Iniciativas, bem como a adaptação do modelo de Transição às diferentes comunidades e culturas.

Em resposta às necessidades manifestadas por diversas Iniciativas de Transição, a Transition Network começou também a trabalhar estreitamente com a editora ‘Green Books’, na publicação de vários manuais e guias de Transição, em matérias como a produção alimentar, habitações sustentáveis, energia local e moeda local, procurando proporcionar às Iniciativas e às comunidades ferramentas e conteúdos com que umas e outras pudessem trabalhar de forma eficaz na planificação e implementação de soluções potenciadoras de resiliência.

Em  2009  foi  realizado  o  documentário  “In  Transition  1.0”, através do qual e na primeira pessoa, a Transition Network deu a conhecer ao mundo a sua visão e missão e as formas práticas, simples e positivas, com que trabalha para motivar as pessoas e as comunidades a concretizar os seus sonhos, sempre com o objectivo de as ajudar a aumentar a sua resiliência local.

Em 2012 foi lançado o documentário “In Transition 2.0”,  desta feita dando vós às Iniciativas de Transição pelo mundo fora, às pessoas que nelas se empenham, às que nelas se inspiram, e procurando  demonstrar através delas o poder transformador que o envolvimento activo de cada um pode ter e consegue ter na vida da sua comunidade, em si próprio, nos outros e na criação de comunidades humanas verdadeiramente saudáveis.

Para além de todo este trabalho, a Transition Network realiza ainda todos os anos e de forma itinerante, a Transition Conference, com o intuito de reunir as Iniciativas num momento e local, e facilitar a partilha de experiências, metodologias, sucessos e fracassos, de modo a enriquecer a aprendizagem de todos.

Uma das características do movimento de Transição é o seu funcionamento em open source, que o torna fluído, adaptável e em constante transformação. A página web da Transition Network funciona como plataforma onde  todas  as  Iniciativas  de  Transição  registadas  podem partilhar  os  seus  projectos, experiências,  metodologias,  sucessos  e  fracassos.  Funciona  igualmente  como  fórum  de discussão  directa  com  os  responsáveis  da  rede,  onde  são  discutidos  regularmente  tópicos estruturais do próprio movimento, como, por exemplo, a redefinição de objectivos, princípios, etc. O carácter familiar e directo dos discursos regularmente utilizados na rede e a possibilidade de contacto directo com os responsáveis pela rede constituem factores de confiança para com o movimento.

Hopkins (2008, 2010) refere usualmente o carácter viral da expansão das Iniciativas de Transição: se em 2006 o movimento começou com dois grupos de Transição (Kingsale, na Irlanda e Totnes, em Inglaterra), em Setembro de 2013 estavam já registadas junto da Transition Network 1116 Iniciativas de Transição em mais de 43 países, contando-se 462 Iniciativas oficiais e 654 Iniciativas “muller” – i.e., em formação, a criar as condições-base para lançar a Iniciativa nas suas comunidades. Ora, se para além das Iniciativas registadas existem muitas outras que não procuram desde logo registar-se junto da Transition Network, dando-se a conhecer ao movimento apenas a nível nacional ou regional, também acontece por vezes que parte das Iniciativas registadas não têm, actualmente, uma existência real, activa.

A distribuição mundial das Iniciativas de Transição concentra-se sobretudo pelos países anglófonos: Reino  Unido, EUA, Austrália, Canadá, Índia; em menor escala, mas claramente em crescimento, em diversos  países europeus: Bélgica, Holanda, Dinamarca, Alemanha, França, Suécia, Portugal, Espanha, Itália; sul-americanos: Brasil, Argentina; e asiáticos, como o Japão.

A internacionalização (para além do Reino Unido)  da Transition Network é relativamente recente, e constitui um desafio à forma de funcionamento da própria Transition Network. A solução encontrada passa pela criação de hubs nacionais e de uma plataforma de hubs internacional com um secretariado que, até ao momento, está sediado no Reino Unido.